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“Você é um em um milhão”

Em entrevista exclusiva para o MMA4ever, Minotauro fala sobre sua carreira no MMA Mundial

Ícone do MMA Mundial e Embaixador do UFC, Rodrigo Minotauro é um dos grandes nomes do mundo da luta. A pedido da MMA4ever, o líder da Team Nogueira falou com nossa equipe e relembrou do passado, falando o que o fez entrar para as artes marciais, a superação após o acidente com o caminhão ainda novo, a rivalidade entre BTT e Chute Boxe, a parceria com o irmão Rogério Minotouro, os trabalhos sociais e a luta para alavancar o esporte pelo mundo como embaixador do esporte. Acompanhe e conheça um pouco mais sobre a história de vida de um dos maiores lutadores brasileiros

MMA4ever: Como que você entrou nas artes marciais?

Rodrigo Minotauro: Eu entrei com quatro anos de idade. Conheci o judô através do meu irmão mais velho, que me levou para assistir algumas competições. Eu achei muito interessante esse ato de ir lá competir e disputar, eu entrei para competir. Depois que eu entrei, fui ver que a arte marcial não era só competição, vi que tinha toda uma disciplina, toda uma hierarquia. Mais tarde tive um acidente quando tinha 11 anos de idade, e eu acho que muito daquela luta que eu praticava me ajudou como uma pessoa mais forte.

Rodrigo-MinotauroMMA4ever: O acidente que você fala foi sobre o caminhão que te atropelou, você acha que por praticar a luta o seu porte físico te ajudou nesse momento?

Rodrigo Minotauro: Não foi a parte física das artes marciais que me ajudou, mas sim a parte mental, a luta é muito mais mental do que física, então me fortalecia mentalmente, aquele negócio do treinamento diário, principalmente das artes marciais japonesas, que tem muita repetição, o japonês preza pela repetição do movimento, quebrar limites. E quando eu tive o acidente eu não tinha limites para poder me recuperar. Horas de fisioterapia, e tudo, perdi uma parte meu diafragma, muito responsável pela respiração, ficava horas assoprando balão para poder respirar normalmente e depois de tudo eu voltei a treinar com a lesão na perna, no tendão de aquiles, com a coluna um pouco machucada.

MMA4ever: Os médicos na época falaram alguma coisa sobre você não poder continuar os treinos?

Rodrigo Minotauro: Não, não falavam nada, eu sentia dores que eu tinha a musculatura das costelas bem danificada, então eu sentia dores, quando eu comecei a treinar. Mas não me proibiram de treinar e falaram até que a parte dos exercícios era muito importante para poder me recuperar. Então eu acho que devo muito ao esporte que me ajudou bastante e a arte marcial me ajudou bastante, não só os títulos e tudo, mas também na minha vida pessoal.

MMA4ever: Como foi a sua transição para o MMA?

Rodrigo Minotauro: Eu entrei no kickboxing com 12 anos de idade, kung fu também na adolescência e fui conhecer o jiu-jitsu aos 17. Pratiquei outras modalidades também, minha mãe era dona de academia. Eu queria fazer todas as artes marciais, era apaixonado, depois eu conheci o MMA já mais velho, e eu tinha uma vantagem, por que eu era praticante de todas as artes marciais e o MMA é um mix dessas artes. Então eu já estava na frente, no começo o pessoal fazia muita disputa de artes marciais, o cara do jiu-jitsu contra o cara do boxe, e eu já praticava tudo. Quando eu comecei no Japão, já praticava boxe e era campeão mundial de jiu-jitsu.

MMA4ever: Você sempre conseguiu viver da sua carreira de lutador?

Rodrigo Minotauro: Eu sempre trabalhei. Quando eu era adolescente, além de estudar eletromecânica eu trabalhava num escritório de marcas e patentes. Era correria também, não ficava sendo só atleta para treinar. Isso muitos fazem: “vou ser atleta e vou parar de trabalhar”. Quando fui morar nos EUA, trazia kimono de lá para cá, trazia laptop, dava seminário, já fui segurança de boate, dava aula particular.  É uma transição difícil, onde o cara tem que ser persistente, vai passar dificuldade, é difícil, você é um em um milhão, como ser um jogador de futebol. Mas eu aconselho o pessoal a procurar seus trabalhos também, treina de manhã, vai trabalhar durante o dia, final de tarde dá sua aula e depois vai treinar a noite. Eu lembro que eu vinha no ônibus batendo cabeça dormindo para treinar no outro dia de manhã (risos).

MMA4ever: Na época do Pride existiu uma rixa grande entre a sua equipe, a BTT, e a equipe do Wanderlei Silva, outro ícone do MMA nacional, a Chute Boxe. Como você vê essa rixa para a evolução do esporte?

Rodrigo Minotauro: Foi uma época forte do esporte no mundo, foi necessário essa competição. A disputa é necessária para crescer o esporte, toda vez que tem conflito, disputa é interessante. Teve esse conflito BTT e Chute Boxe, foram as duas maiores equipes do esporte no mundo por muito tempo, por uma década. Durante 10 anos foram as maiores equipes. Eu de um lado, Wanderlei Silva do outro, Shogun de um lado, Ricardo Arona do outro, Paulo Filho, Murilo Ninja, Rogério, Assuélio Silva, a BTT com eles fez 28 confrontos pra cada um, foram 56 lutas, foi quase pau a pau, então foi interessante, foi necessário, era quase como um clássico de Vasco e Flamengo (risos).

MMA4ever: Nessa época a rixa entre as duas equipes e os atletas era enorme, contudo, você nunca pareceu entrar no jogo de provocações que existiram naquela época, como você fazia para se manter sereno em meio as provocações?

Rodrigo Minotauro: Eu sempre deixei tudo aquilo dentro do ringue, na época não era nem octógono, era ringue mesmo (risos). Eu era o único da BTT que falava com eles, não era amigo de andar junto e tudo mais, mas sempre tive um respeito com um pessoal e eles comigo, sempre foi assim. Surgiu na época, um princípio de atrito quando eu fui dar uma coletiva de imprensa e o Assuério Silva subiu e veio fazer um desafio para mim, mas eu sabia que a minha colocação era 1º do ranking e a dele era 10º. Então resolvi deixar ele quieto lá (risos), ele nunca foi um desafio pra mim.

sappMMA4ever: A sua luta contra Bob Sapp foi a maior da sua carreira ou tem alguma outra que você considere mais importante?

Rodrigo Minotauro: Foram algumas lutas marcantes. O Bob Sapp foi uma, Mirko Co Crop, com Tim Sylvia foi outra, Randy Couture foi outra grande luta. Eu acho que foram essas as quatro as maiores lutas da minha carreira.

MMA4ever: A rivalidade com eles hoje em dia, ficou no tatame?

Rodrigo Minotauro: Total, nunca tive rivalidade pessoal com nenhum lutador, e acho que é o segredo do esporte, deixar ali a rivalidade. Na hora da luta a gente é rival, a gente é concorrente, todo mundo quer ganhar. Mas depois, passou.

MMA4ever: Você conseguiu inúmeros títulos na sua carreira e participou dos dois maiores eventos, o Pride e o UFC, onde você hoje o Embaixador do evento no Brasil, como você vê a sua influência sobre novos atletas?

Rodrigo Minotauro: É grande, a gente quer influencia-los para que eles sejam profissionais, procurem além de ser bons lutadores dentro do ringue, que faça fora também uma parte de cuidar da imagem da carreira, ter uma boa imagem como profissional, acho que todo profissional, ídolo do esporte tem que cuidar da parte social. Por que hoje em dia qualquer pessoa que se destaca precisa, além de cuidar da parte financeira, tem que cuidar das pessoas que estão em volta, todos os jogadores de futebol, lutadores, pessoas influentes da mídia, tem que fazer algum trabalho social.

MMA4ever: Você criou a sua própria equipe, a Team Nogueira, quando você decidiu monta-la?

Rodrigo Minotauro: Em 2008, quando participei do TUF Americano, acabamos criando a Team Nogueira para participar, meu irmão (Rogério Minotouro) foi dar aula lá comigo, então depois disso resolvemos montar o nosso time e em 2010 criamos a nossa rede de franquias que fez surgir 25 academias pelo Brasil inteiro. Hoje em dia temos quase 13 mil alunos no mundo todo. No Brasil são 11 mil alunos da rede, 2000 mais ou menos só aqui do Rio, divididos no Recreio, Cachambi e Campo Grande.

MMA4ever: Vocês também fazem um trabalho social com a equipe, como ele funciona?

Rodrigo Minotauro: Temos o projeto “Instituto Irmãos Nogueira” que já conta com 1.500 crianças e já é o maior instituto de lutas do Estado do Rio de Janeiro, onde trabalhamos com a lei de incentivo “Jogando com o Ídolo”, onde aquele garoto pode ter a oportunidade de treinar com o seu ídolo, que ajuda e muito as crianças a se manterem focados no esporte. O contato com o ídolo pode mudar a vida da criança. Nosso trabalho é fazer exatamente isso, além desse trabalho de formação do atleta, ainda fazemos um forte trabalho de gestão comportamental com eles, fazemos entrevistas para ver se eles estão melhorando, se estão focados, e etc.

MMA4ever: Você sempre trabalhou lado a lado com seu irmão e lutador Rogério Minotouro. Como é ter ele lado a lado nos seus projetos?

Rodrigo Minotauro: É muito bom, tenho um sócio e um cara ao meu lado que é comprometido com trabalho, é um cara estudioso, cursou Direito, é sempre muito cuidadoso com as partes contratuais, sempre uma pessoa para frente. Temos inúmeros projetos juntos de sucesso, além da academia temos o nosso próprio energético que já é o segundo no mercado carioca, trabalhamos com atletas profissionais. São projetos que eu preciso de mais alguém para tocar comigo e Rogério faz isso muito bem, por ser uma pessoa bem focada nos trabalhos. É um parceiro com uma excelente visão de negócios.

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MMA4ever: Como foi a decisão para que lutassem em pesos diferentes, você no peso pesado e Minotouro no meio-pesado?

Rodrigo Minotauro: Na realidade não ouve escolha. Meu irmão sempre foi mais leve do que eu, uma média de 10 à 13kg de diferença. Então acabou sendo bem natural conforme crescíamos, ele sempre foi um pouco mais leve.

MMA4ever: Hoje você é o Embaixador do UFC. Como funciona essa sua função e como é representar o maior evento de MMA do mundo?

Rodrigo Minotauro: Sou responsável pela parte técnica dos atletas e tenho uma voz como embaixador nas partes sócias para que o UFC seja recebido em diversos lugares do mundo. É excelente poder participar disso, minha última viagem foi ao Chile e foi muito interessante. Lá é um mercado virgem em relação ao MMA, visitei diversas academias, conheci inúmeros atleta, no final eu faço uma lista de indicações e mando para o UFC nos Estados Unidos. Além desse suporte aos atletas, temos hoje 83 atletas brasileiros que damos suporte a eles nas competições internacionais

MMA4ever: Como é o programa “Viver para Lutar”?

Rodrigo Minotauro: É um programa de Artes Marciais onde viajamos o mundo. Estamos na segunda temporada e já visitamos 12 países, onde vamos em todas as federações e descobrimos os melhores atletas, criando um vínculo entre essas Federações e o UFC que é um fato muito importante. É bastante trabalhoso, mas é bacana, é uma grande organização e muito profissional o trabalho.

 

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