Rodolfo Vieira Shooto
Rodolfo Vieire venceu sua segunda luta no MMA – Foto: Renato Nogueira

Rodolfo Vieira vibra com vitória no Shooto Brasil 74 mas acha que ainda pode evoluir no MMA

Multicampeão na arte suave, Rodolfo Vieira ainda dá seus primeiros passos no MMA e no último domingo (27) o carioca entrou em ação pelo Shooto Brasil 74, que aconteceu no Rio de Janeiro. Em sua segunda luta como profissional, o pentacampeão mundial de jiu-jitsu não teve vida fácil e a vitória sobre Fagner Rackchal só veio quando faltavam apenas 14 segundos para o fim do duelo.

Rodolfo Vieira teve seu adversário trocado, já que iria enfrentar Natalício Nascimento, mas o adversário saiu do card restando dois dias para o confronto. A organização então convocou Fagner Rackchal, que aceitou o desafio.

Quem achou que Rodolfo Vieira teria vida fácil se enganou já que Fagner Rakchal entrou como franco atirador e levou perigo ao atleta da American Top Team mostrando um jogo de muay thai afiado e aplicando bons golpes. Rakchal estava levando a melhor no confronto e quando parecia que ia se sagrar vencedor, Rodolfo mostrou porque é o pentacampeão mundial de jiu-jitsu e conseguiu a finalização após aplicar um lindo katagatame quando faltava pouco mais de 10 segundos para o fim da luta, levando o público ao delírio.

“Achei o máximo, foi minha segunda luta de MMA, uma guerra, o público em chamas foi muito gratificante e estou muito feliz. A vitória foi muito boa, passei por uma prova de fogo, não imaginei que ia conseguir lutar desse jeito, não imaginava que meu adversário fosse tão duro e tivesse uma defesa de queda tão boa, mas eu acreditei até o final com ajuda da minha equipe, da minha família que estava torcendo e do público, eles que me deram forças para lutar até o final. Acreditei no meu Jiu-Jitsu, estava tentando trocar, mas sabia que ia ser ruim ficar trocando com ele, porque ele é mais experiente que eu em pé. No final senti que ele estava cansado, eu também estava, mas ele estava mais, então sabia que se eu imprimisse o ritmo eu ia poder levar e foi o que aconteceu, acreditei em mim, no meu Jiu-Jitsu e graças a Deus consegui impor meu jogo para finalizar no terceiro round”, comemorou.

Durante a luta, Rodolfo Vieira estava consciente de que estava em desvantagem e sabia que a única chance de vitória era a finalização, já que havia sido superado nos dois primeiros rounds.

“Na minha cabeça, estava perdendo os dois rounds. Ele me deu vários golpes e não consegui acertá-lo, tentei derrubar e não consegui. Depois derrubei, mas não consegui manter no chão. Tentei uma guilhotina, mas não tive sucesso, ele caiu por cima e tentei um armlock. Sei que na minha cabeça estava perdendo os dois rounds e só tinha o terceiro, e vi que ele estava cansado. Botei na minha cabeça que ele não ia conseguir acompanhar o meu ritmo, enquanto o mestre (Ricardo) Libório estava quase enfartando, nunca vi ele tão nervoso, e praticamente me obrigando a derrubá-lo no último round, que era a única forma de ganhar. Tive força e garra para lutar até o final e sair com a finalização”, disse Rodolfo Vieira que também falou sobre a mudança de adversário em cima da hora.

“Eu ia enfrentar um outro atleta, bem diferente do Fagner, que era uma cara que usava mais o boxe, perigoso, mas o Fagner também era, ele chuta muito e estava me complicando ali nos chutes, mas graças a Deus deu tudo certo e ele me abençoou para sair com a vitória”, disse.

320225_726348_img_7287

Rodolfo Vieira só conseguiu a vitória com um katagatame a poucos segundos do fim – Foto: Natalino Werneck

Rodolfo Vieira estreou no MMA com vitória sobre Zarylbek Daniyar pelo Arzalet Fighting Globe Championship, que aconteceu em São Paulo, mas para o carioca a luta no Shooto Brasil 74 teve um sabor especial por estar lutando no Rio de Janeiro, sua terra natal.

“Foi bom demais lutar aqui no Rio, se eu tivesse lutando em qualquer outro lugar que não fosse aqui eu teria perdido essa luta. Vi que quando ele começou a me dar um calor no primeiro round, uma parte da torcida começou a gritar o nome dele, mas eu não estou nem aí, eu luto bem tanto com a torcida contra quanto a meu favor e mostrei isso aí. Eu estava em casa e a torcida contra mim, mas eu estava bem assessorado, com ótimos coaches do meu lado, a minha família, então nada ia me abalar, as brincadeiras que ele fez, os golpes que ele acertou, mas não estou acostumado porque sempre fui sério no Jiu-Jitsu, mas sei que no MMA é diferente, os caras gostam de brincar, de falar besteira antes da luta e durante, que foi o que ele fez, mas estou preparado, tenho a minha cabeça boa, sou focado e não me perco com esse tipo de brincadeira, mantenho minha cabeça em linha e faço o que foi treinado”, disse.

Apesar da vitória, Rodolfo Vieira acredita que ainda pode evoluir no MMA e acha que ainda não chegou no nível que quer.

“A minha meta no MMA é continuar evoluindo, pois vi o quanto preciso melhorar ainda, o quanto estou longe do nível que quero chegar, mas é um trabalho de formiguinha. Estou novo no MMA, é apenas a minha segunda, peguei um cara duro, mas mostrei que se eu continuar treinando e Deus continuar me abençoando, vou chegar onde quero”, disse.

Após se consagrar no Jiu-Jitsu, agora o foco de Rodolfo Vieira é o MMA, mas o carioca não descartou um retorno a modalidade que o consagrou como pentacampeão mundial, mas impôs uma condição para voltar a atuar na arte suave.

“Se surgir uma oportunidade, uma luta casada com um cara que eu respeite, eu volto a treinar, fora isso não tem como voltar para um campeonato mundial ou pan-americano, acho que só mesmo luta casada com um cara bom, de nível alto, que tenha meu respeito e minha admiração, aí foco no Jiu-Jitsu de novo para lutar”, disse.

Rodolfo Vieira já tem novo compromisso no MMA, mas vai depender agora da recuperação de uma lesão na mão que sofreu durante a luta, para entrar em ação no final de outubro, em Curitiba.

“Esse meu dedo não sei como vai ser agora. Já tinha machucado no jiu-jítsu, mas não tão grave, e tive que ficar um tempão parado. Volto no dia 11 (de setembro) para os Estados Unidos, e tenho uma luta no dia 22 de outubro, no Real Fighting, em Curitiba. Mas não sei, agora com esse dedo não sei se vou conseguir lutar. Espero que sim, mas vai depender”, disse.

Categorias
MMA

Relacionados