Luan Santiago enfrenta Eric Parrudo no Brave 8: The Rise of Champions, em Curitiba – Divulgação

Do subúrbio de Salvador para o centro das atenções no Brave: conheça a trajetória de Luan Santiago

Antes de brilhar pelo Brave Combat Federation e se tornar um dos brasileiros melhor conceituados pelo evento, Luan Santiago nasceu em um bairro pobre de Salvador, capital da Bahia, uma das cidades mais bonitas e violentas do Brasil. Como muitos jovens brasileiros, ele cresceu com o sonho de melhorar sua vida através dos esportes.

“Minha infância foi como a de muitas crianças nordestinas. Era uma guerra diária. Eu tinha problemas em casa e era tudo muito difícil nas ruas também. Eu enxerguei nas artes marciais um caminho para fora dessa realidade. Eu comecei a treinar quando era criança, mas eu já tinha esse sonho de ser o melhor. Mas foi difícil para mim porque não tínhamos condições e a estrutura do lugar que eu treinava era muito ruim”, conta o peso leve, que enfrentará Eric Parrudo no Brave 8: The Rise of Champions, no dia 12 de agosto, em Curitiba.

Aos 22 anos, “Miau” já se estabeleceu como uma das maiores promessas do peso leve mundo afora, em uma jornada que lhe rendeu o prêmio de Lutador do Ano no MMA brasileiro no prêmio Oswaldo Paquetá de 2016. Um pouco de rebeldia o levou para o caminho das glórias.

“Meu pai me apresentou ao mundo das artes marciais. Ele era mestre no taekwondo, mas era muito rigoroso e eu queria tentar outras coisas, outras artes. Através do meu primo, comecei a treinar kickboxing, muay thai e caratê. O MMA apareceu para mim quando era adolescente e fiz minha primeira luta logo depois de completar 18 anos. Tudo aconteceu em um piscar de olhos, mas a verdade é que eu estava crescendo demais para aquele lugar”.

Luan se refere a Salvador, sua cidade natal. Destacando-se no cenário regional, logo veio o convite para uma mudança radical: Curitiba, capital do MMA brasileiro e cidade-sede dos dois eventos organizados pelo Brave no país.

“Meu amigo Léo Pateira, que é empresário e promotor de eventos, chegou para mim e disse: “Você está melhorando a cada dia. Sei que você é trabalhador e disciplinado, então o que acha de se mudar para Curitiba?” Falei com a minha família e, apesar de não termos muita proximidade, eles me apoiaram, assim como meus amigos e treinadores”, descreve.

Apesar de não ter hesitado em aceitar a mudança, não foi fácil para “Miau” se adaptar a Curitiba.

“Eu lembro que cheguei sem nada, sem nenhuma posse. Eu tinha R$ 200 no meu bolso. E só tinha essa grana por conta de uma “vaquinha” que o Léo Pateira fez  com meu mestre Marcos Araújo e alguns amigos. Lembro que cheguei a Curitiba de camiseta e short e estava congelando de frio”.

Um recomeço em Curitiba

No dia 14 de julho de 2014, um dia após o fim da Copa do Mundo do Brasil, Luan Santiago chegou a Curitiba para começar uma nova vida, tendo acesso a treinamentos com alguns dos melhores artistas marciais do mundo. Um momento decisivo em sua carreira, motivado pela sua primeira derrota como profissional de MMA.

“Eu me mudei logo após minha primeira derrota. Naquela época eu lutava de meio-médio, mas meu peso em off era de 75 kg., menos do que o corte da divisão. Foi um momento muito triste para mim e eu prometi que nunca mais me sentiria daquela forma. Foi quando eu entrei na CM System” relembra.

CM System é um time de MMA formado por Cristiano Marcello, único lutador com passagens pelo Pride, The Ultimate Fighter e UFC, além de ter treinado alguns dos maiores nomes da história do esporte na Chute Boxe.

Aposentado desde 2014, Cristiano vem sendo o mentor da próxima geração de talentos e Santiago está incluído nessa lista. Neste processo, o treinador virou um “segundo pai” para “Miau”.

“O Cristiano é de verdade como um pai para mim. Ele ajudou no meu desenvolvimento como lutador, claro, mas me ajudou ainda mais como homem. Ele me educou e me ensinou a correr atrás dos meus sonhos com dedicação, mas sem passar por cima de ninguém. E é assim que as coisas funcionam aqui. Temos três ou quatro treinos diários. Parte física, trocação, jiu-jitsu e wrestling. Nós vivemos para o esporte, como todo profissional deve fazer”.

O ano de 2016 foi inesquecível para Luan. Com três vitórias por nocaute em três lutas e o prêmio Oswaldo Paquetá de Lutador do Ano, o peso leve também conquistou um contrato com o Brave. Foi um período de realizações para o brasileiro, que prometeu não se deslumbrar com as conquistas.

“Trabalhamos muito duro durante um ano, conseguimos três grandes nocautes, ganhamos o Prêmio Oswaldo Paquetá e assinamos com o Brave, um evento que tem causado grande impacto no MMA mundial nos últimos meses. O Brave conseguiu em oito meses o que demorou 10 anos para o UFC conseguir. Então, já conquistei muitas coisas. Mas não mostrei nem 1% do meu potencial. Em três anos, serei o melhor do mundo na minha divisão. Eu sei disso e repito isso para mim todo dia”, afirma.

O cinturão e um desafio à vista

Luan Santiago terá seu segundo desafio pelo Brave, em Curitiba, no dia 12 de agosto. A promessa brasileira enfrentará Eric Parrudo, no card principal do Brave 8: The Rise of Champions, evento que contará com duas disputas de cinturão.

“Miau” já treinou com seu adversário em Salvador e esse período de treinos lhe dá ainda mais confiança de uma vitória no dia 12.

“Ele é só mais um obstáculo no meu caminho. Eu vou passar por cima dele sem dó nem piedade. Treinamos juntos há alguns anos e eu o conheço bem, é um cara experiente. Mas ele não me conhece. Não sou o mesmo lutador daquela época. Quando ele se der conta do que está acontecendo lá dentro já será tarde demais para ele. Já vou ter nocauteado ou finalizado”, sentencia.

“Depois de vencer o Parrudo, eu quero enfrentar o Ottman Azaitar (marroquino peso leve invicto do Brave)”, continua.

“Ele está fugindo de mim há algum tempo, se escondendo atrás das redes sociais e dos fãs. É ridículo. Sei que o Brave está organizando uma grande semana de lutas em novembro no Bahrein e eu quero enfrentá-lo lá finalmente. Vamos ver se ele vai ser macho para aceitar meu desafio”, completa.

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