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Foto: Renato Ávila

Jorge Eduardo Zumbi se despede dos ringues

Ícone do Kickboxing Nacional fez sua última luta se aposentando dos combates.
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Foto: Renato Ávila

Jorge Eduardo Zumbi é considerado um dos grandes nomes do Kickboxing do Brasil e aos 50 anos pendurou as luvas. A despedida do carioca foi em grande estilo com a marca registrada em grande parte de sua carreira, ou seja, vitória por nocaute e a vítima da vez foi Deilon Carlos na segunda edição do K21 Kickboxing, que foi realizado em 11 de agosto na Academia KS, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Sem lutar desde 2011, Jorge Eduardo Zumbi teve uma parada dura pela frente já que Deilon Carlos é quase 20 anos mais jovem e é campeão estadual. Contando com um grande apoio da torcida, Zumbi foi para cima e aplicou um lindo nocaute após uma bela sequência de socos e um chute rodado que acertou em cheio rosto do adversário que caiu e o juiz interrompeu para o delírio da galera que invadiu o ringue após a grande vitória.
“Eu estava sete anos sem lutar, a minha última luta eu fiz quando eu estava na Team Nogueira, fiquei sem lutar devidos aos trabalhos, as aulas e as coisas que temos para resolver. A gente está dentro do mundo da luta, mas para fazer uma luta boa e estar como atleta de alto rendimento, ainda mais eu que tenho 50 anos, não é fácil. Eu já tinha praticamente encerrado a carreira como lutador, mas dentro de mim, no interiorzinho, ainda parecia que faltava alguma coisa, como se fosse aquela pessoa que tivesse morrido, mas o espírito não havia sossegado. Era como se faltasse alguma coisa e o que faltava era eu anunciar a minha despedida, até porque tenho meus alunos que treinam comigo aqui no Recreio a cinco anos e nunca tinham me visto lutar. Então resolvi aceitar o desafio e se tratando do K21, que é um evento que vem crescendo, e meu amigo Daniel Matos me convidou, então aceitei”, disse Jorge Eduardo Zumbi, que também elogiou o adversário e exaltou a sua boa preparação para o confronto.
“Eu aceitei esse desafio contra um adversário bem mais jovem, ele deve estar na casa dos 30, e eu com 50 anos, então eu queria mostrar para meus alunos e para mim mesmo a minha despedida. Tive um adversário muito forte e só o fato de eu entrar para lutar, já que me considerava campeão, porque não é qualquer um que chega com 50 anos para lutar com o campeão estadual, é um cara que vem ganhando alguns títulos de expressão, então eu aceitei o desafio e treinei bem, três meses focado. Fiz um trabalho de musculação para ganhar peso, ganhar massa, até porque jogo na categoria abaixo, mas graças a Deus consegui um nocaute no primeiro round e a galera explodiu na academia”, disse.
Jorge Eduardo Zumbi esperava a vitória por nocaute, só não imaginava que o triunfo viria ainda no primeiro round.
“Falando na humildade, sem querer me vangloriar, essa foi a minha luta de número 77 com 72 vitórias e cinco derrotas, e dessas vitórias 48 foram por nocaute, mas a gente sabe que quando pega um atleta de uma categoria acima, a mão é mais dura, então eu treinei muito e esperava o nocaute. Fiz minha estratégia de acordo com que ele iria apresentar para mim, porque eu sabia que estava bem fisicamente para poder brigar três rounds tranquilo. Eu estava treinando 10, 12 rounds e correndo direto, tava com uma preparação física boa, contratei uma nutricionista para tratar da minha alimentação, me abdiquei de várias coisas. Eu sempre busquei o nocaute, só não esperava que fosse no primeiro round, pois achava que no início seria uma luta de estudo, entraria para sentir o meu adversário e se eu sentisse que desse para espetar, eu iria espetar, tanto que a primeira porrada foi minha, dei uma canelada firme para ele sentir a pressão. Entrei bem com o chute e botei a mão firme, ele veio para cima e quando tive a oportunidade nocauteei e cheguei  ao nocaute de número 49”, disse.
Jorge Eduardo Zumbi encerrou sua carreira aos 50 anos onde fez 77 lutas com 72 vitórias, sendo 48 por nocaute, e apenas cinco derrotas. Em sua carreira, Zumbi coleciona diversos títulos estaduais de Kickboxing, foi campeão brasileiro sete vezes, conquistou dois panamericanos, um sulamericano, além de três cinturões de Muay Thai. O carioca é nascido e criado na Vila Kennedy, comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e começou a treinar quando já tinha mais de 20 anos, na década de 90 no auge dos bailes funks de corredor. Sobre seu início no Kickboxing, Jorge Eduardo confessa que começou a treinar para brigar nos confrontos “Lado A x Lado B”, mas o agora ex-atleta diz com muito orgulho que foi nas artes marciais que encontrou a oportunidade de uma vida melhor.
“Eu comecei a treinar tarde, com vinte e poucos anos, eu peguei a época de baile funk, então na verdade comecei a treinar para brigar e usava para o mal, porque era a única maneira que tínhamos de nos divertir, hoje vejo que isso não é legal, mas graças a Deus pude mudar. Só quem morou em comunidade sabe como é, as coisas são duras, fui nascido e criado na Vila Kennedy, lugar barra pesada, onde as oportunidades são poucas. Como o homem é produto do meio, comigo não seria diferente, filho de mãe e pai separados, pobre, feio, duro, vendo o crime de perto, tudo indicava que eu poderia virar estatística, mas graças a Deus conheci o esporte e vi que podia mudar minha vida e foi o que aconteceu. Comecei treinando Muay Thai e depois fui para o Kickboxing, aos poucos meus mestres foram me mostrando que o esporte poderia salvar minha vida e graças a Deus consegui mudar de vida por causa das artes marciais”, disse.
Após pendurar as luvas, Jorge Eduardo Zumbi disse que ainda recebeu convites para lutar, mas decidiu encerrar a carreira falou sobre seus planos para o futuro.
“Recebi vários convites para lutar em outros eventos, mas ali era despedida mesmo, porque agora tenho planos dentro da luta, penso em ir para fora do Rio ano que vem e no outro ano até ir para fora do Brasil”, disse.
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Foto: Renato Ávila

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Foto: Renato Ávila

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